Caio Mileto é membro fundador da igreja batista zona norte, formado em comunicação social e escreve sobre a relação do cristão e a sociedade secular.

2016 Tempo de Multiplicação

 

Cristão vota em Cristão?

 

     Sim. E não. Estas duas primeiras frases diminutas não ajudam a explicar muita coisa sobre o tema, não é mesmo? Então permita-me explicar um pouco melhor.

 Vivemos em uma democracia em que cada cidadão pode expressar (mais ou menos) livremente suas ideias e seu agir político. E neste contexto a pergunta que nos fazemos em cada eleição é: “devemos votar nos irmãos por alguma razão especial?”. Ou talvez devamos relevar o nosso cristianismo a agir como qualquer indistinto cidadão de um Estado laico como o brasileiro?

     A tarefa de votar não é apenar marcar um xis ou apertar alguns botões. Ela envolve muito mais que isso. É uma escolha que deveria ser consciente e levada a cabo pela razão. E para isso é possível enunciar alguns princípios gerais a serem analisados por qualquer eleitor, cristão ou não, ao se escolher um candidato; mas também é possível elencar alguns outros que o eleitor cristão deveria estar especialmente atento.

     Como princípios gerais devemos todos observar de perto as propostas e ideias dos candidatos, sua honestidade e seu histórico na vida pública.

    No que concerne às ideias e propostas, o voto consciente demanda que eleitor tente identificar no candidato proposições mais próximas da que teria se ele próprio fosse o candidato. Onde priorizar? O que fazer? Como? Assim o eleitor terá maiores chances de se satisfazer com seu voto. Onde haja harmonia entre suas ideias e as do candidato.

 A honestidade é outro fator importantíssimo. Do que adianta ter as melhores ideias, as propostas mais mirabolantes se o candidato tem a ficha suja, ou um histórico de suspeição e envolvimento em escândalos? É melhor evitar os candidatos de passado negro.

     O terceiro ponto geral a se levar em consideração é o histórico do candidato. Se não é um calouro na vida pública, certamente tem um passado a ser considerado. O que ele já fez? Como fez? Qual é sua reputação? Existem acusações contra ele? Seu trabalho foi eficiente? Por outro lado, se é novato e nunca foi eleito, é bem provável que tenha algum envolvimento político com algum padrinho. Ou alguma obra social, acadêmica, ou qualquer outra base de apoio onde possua alguma ressonância. E nestes casos é aí onde teremos o nosso foco.

Em princípio, caso o candidato possua ideias compatíveis com as suas, seja reconhecidamente honesto e possua um passado de realizações honrosas, talvez seja um dos que possivelmente mereça seu voto. Em que pese o contrário seja verdadeiro.

    Mas essas são orientações gerais para qualquer eleitor escolher seu candidato. Entretanto devemos entender que as ideias / propostas são os grandes diferenciais na hora do voto cristão. E o grande ponto de inflexão, aquilo que diferencia o voto do cristão e do não cristão são os PRINCÍPIOS BÍBLICOS que defendemos e vivemos. Então agora podemos começar a responder a pergunta do título: cristão pode ou não votar em outro cristão, desde que as ideias defendidas pelo candidato, quem quer que seja, sejam compatíveis com os princípios e a moral cristã. O que, diga-se de passagem, inclui inexoravelmente uma reputação ilibada para começo de conversa.

    Deste ponto de partida, é preciso que o cristão faça um profundo e criterioso escrutínio do que cada candidato e, tão importante quanto, o seu partido, defende. Hoje em dia há muitos partidos e candidatos que não reconhecem a vida como um direito primordial inalienável. É o caso dos abortistas que defendem que a mulher tem o direito de assassinar seu próprio filho, desde que este ainda se encontre no seu ventre. Nada mais anticristão. Assim, qualquer candidato abortista, ou partido que se una em torno dessa causa deveria ser rechaçado pelo eleitor cristão consciente.

Outra tendência que vemos no cenário político contemporâneo é a desvalorização da família. Certos grupos políticos tentam criar uma família diferente daquela ÚNICA que Deus criou (Homem + Mulher + Filhos). A verdade é que qualquer coisa que passa disso simplesmente NÃO É FAMÍLIA, ainda que um dia venha ser juridicamente reconhecida. Se seu candidato / partido postula qualquer coisa atentatória a esta criação divina, certamente não merece seu voto.

 As liberdades civis individuais devem também ser trazidas à conta na hora de confirmar o voto. E entre as liberdades individuais está a liberdade de culto, de ter uma crença. Sabemos que vários partidos não são nem um pouco afeitos a estas liberdades. E no que tange nomeadamente à religião, historicamente os partidos de esquerda ao redor do mundo têm perseguido àqueles que ousam sustentar uma fé. Durante toda a história os países socialistas / comunistas perseguiram os cristãos sob o argumento marxista de que a “religião é o ópio do povo”. E dentro de uma perspectiva evolucionista do materialismo histórico, toda espiritualidade deveria ser eliminada. Se este tipo de perseguição parece ser uma realidade distante, saiba que neste exato momento há muitos cristãos sendo martirizados ou, na melhor das hipóteses, vigiados e controlados, nos países que adotaram o socialismo como bandeira (Cuba, Coréia do Norte e China). Desta forma, afim de minimizar os danos, seria prudente afastá-los do poder aqui no Brasil.

     Outra importante liberdade individual constante questionada no nosso país é o direito à propriedade privada. Deus reconhece esse direito quando diz: “Não roubarás.” Para que haja roubo é preciso que algo pertença privadamente a alguém. Todavia, vários partidos também têm pouco, ou nenhum apreço a este princípio / liberdade. Alguns, mais radicais, querem acabar com a propriedade privada e os ditos “moderados” pelo menos querem controlar a maneira com os cidadãos dispõe dos seus bens. Candidatos que abraçam teses como essas também deveriam ser evitados pelos cristãos.

     Evidentemente existem inúmeros outros pontos a serem abordados quando se trata do voto cristão. Mas os que aqui citamos pode dar uma boa noção para aqueles que querem viver em uma sociedade mais sadia enquanto ainda estamos neste mundo aguardando a glória vindoura. Então, finalmente podemos sentenciar: Cristão vota em cristão? Sim, nos princípios e nas ideias / propostas que são compatíveis com a fé. E não. Não necessariamente em alguém que se autodeclare um cristão evangélico.

 

 

 

 

 

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